Rinha: Uma História

Para dar continuidade aos depoimento de ex-organizadores da rinha, não poderia faltar quem segundo ela mesma, foi eleita a Galinha Caipira 2006. A Gica é uma daquelas poucas pessoas que por onde passa deixa sua marca e faz as pessoas lembrarem dela. Hoje a Gica trabalha na Bullet como redatora. Além de publicitária compõe e canta lindamente, nada mais justo estar presente no nosso evento de música. Ela foi queridíssima tirando um tempinho para ajudar a Rock in Rinha a trazer conteúdo e boas histórias. Seu texto sobre o evento é inspirador para quem está organizando e cativante para quem vai participar, é atemporal, serve para a Rock in Rinha e para as próximas rinhas. Dá para sentir cada palavra que ela escreveu. Confira!

Encontrei foto da SuperRinha. Da CaipiRinha eu não achei mesmo. Talvez a própria Magda tenha. Uma aconteceu em 2005, a outra, em 2006. No meu debut galináceo, vesti-me de supergalinha a convite das alunas que estavam organizando o evento. Foi divertido. Cansativo, porém divertido.

No ano seguinte, fiquei à frente dos outros candidatos a anfitrião do cacarejo. Como a experiência conta muito e faz toda a diferença, fui eleita a Galinha Caipira 2006. Pra dizer a verdade, esse era um cargo a parte. No pré-evento – aquela fase em que você acha que nada vai dar certo, que o dinheiro é curto e que as pessoas ao seu redor são burras demais – eu fui do patrocínio da CaipiRinha. Corre aqui, pega lá, faz check list, mas não esquece que tem o trabalho do Pilla pra entregar, a revista Job pra diagramar e toda uma vida social que insiste em pedir mais tempo e dedicação.

Isso é realmente muito engraçado. Fazer evento é igual em qualquer lugar. Eu juro que produzir uma Rinha é igual a produzir um batizado ou um stand de uma montadora gigante no Salão do Automóvel. A diferença está nas pessoas ao seu redor e nas coisas que você coloca em risco. De resto, é tudo a mesma coisa: dá trabalho, tudo precisa de plano B e sempre parece que tudo vai dar errado. Então a magia acontece.

Na hora do evento você olha para todas aquelas pessoas do staff. Você passou dois meses trocando desaforos com mais da metade daquela gente. Mas no dia do evento, eles estão usando a mesma camiseta que você e todos têm o mesmo objetivo: fazer o melhor evento do mundo. Eu não gosto de futebol e nunca fui a um estádio, mas acho que deve ser uma sensação parecida com aquela de estar lá no meio de um mar de gente, torcendo, rezando, vibrando, se descabelando para tudo dar certo. E isso é bem, bem bonito.

Em um piscar de olhos, acaba. Toda aquela agitação, convidados, autoridades, os contratempos, as maluquices de última hora. Tudo isso passa e, de repente, você está dormindo debaixo do chuveiro da sua casa. Dor é pouco. Seus pés e joelhos já passaram desse estágio há muito tempo. A voz acabou. As costas? Não precisa nem falar. Mas agora não é hora de se entregar: ainda há uma tal de festa de premiação para ir. Here we go.

Você não vai lembrar da festa. Talvez você apareça em algumas fotos, mas seu rosto fica irreconhecível. Você está alheio a tudo e todos e só consegue pensar em uma coisa: cama. No outro dia, dor. Quando o seu cérebro termina de acordar, ele começa a resgatar o que sobrou de ontem. Sabe o que tem lá? Paixão. Você lembra dos jurados, que ora riem, ora fazem cara de “por-que-diabos-eu-fui-aceitar-esse-convite-meldels”? O pessoal da sua sala esbaforido, conduzindo aquele monte de gente. Vê os professores fantasiados de coisas inimagináveis, fazendo macaquices. Sabe aqueles milhões de acadêmicos correndo pra lá e pra cá, vibrando a cada nova prova, questionando as pontuações? Isso é a coisa mais legal do mundo.

Não existe nada mais gostoso do que ver o seu cliente ali, vivendo intensamente aquilo que você e sua turma criaram. Não existe palestra, apresentação de campanha, semana acadêmica ou qualquer coisa mais bacana do que isso. É emoção dos dois lados do balcão e isso é inesquecível. Inesquecível do jeito que um anúncio jamais será.

Gica Trierweiler

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4 Responses to Rinha: Uma História

  1. Téssia disse:

    Muito querida!

  2. shay luz disse:

    Suuuuuper texto :D
    é bemm, bemmm verdade :D

  3. Cláudia disse:

    é bem, bem verdade!

  4. Mariane Clarice Hasckel disse:

    Noooooossa CaipiRinha foi a minha primeira Rinha.
    A gica de galinha estava IMPAGÁVEL.
    O clima era de muiita diversão.

    Professores como Rosimeri encarnando a Joelma do Calipso, que na época era novidade, e dançando alopradamente para uma prova.

    Mil recursos contra uam equipe

    Uns meninos de gravatas laranjas.

    Uma turma de rebeldes.

    Pessoal catando moedinhas ao redor do gramado.

    Sensacional, saudades da CaipiRinha.

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