Rinha: Uma História

06/05/2009

Para dar continuidade aos depoimento de ex-organizadores da rinha, não poderia faltar quem segundo ela mesma, foi eleita a Galinha Caipira 2006. A Gica é uma daquelas poucas pessoas que por onde passa deixa sua marca e faz as pessoas lembrarem dela. Hoje a Gica trabalha na Bullet como redatora. Além de publicitária compõe e canta lindamente, nada mais justo estar presente no nosso evento de música. Ela foi queridíssima tirando um tempinho para ajudar a Rock in Rinha a trazer conteúdo e boas histórias. Seu texto sobre o evento é inspirador para quem está organizando e cativante para quem vai participar, é atemporal, serve para a Rock in Rinha e para as próximas rinhas. Dá para sentir cada palavra que ela escreveu. Confira!

Encontrei foto da SuperRinha. Da CaipiRinha eu não achei mesmo. Talvez a própria Magda tenha. Uma aconteceu em 2005, a outra, em 2006. No meu debut galináceo, vesti-me de supergalinha a convite das alunas que estavam organizando o evento. Foi divertido. Cansativo, porém divertido.

No ano seguinte, fiquei à frente dos outros candidatos a anfitrião do cacarejo. Como a experiência conta muito e faz toda a diferença, fui eleita a Galinha Caipira 2006. Pra dizer a verdade, esse era um cargo a parte. No pré-evento – aquela fase em que você acha que nada vai dar certo, que o dinheiro é curto e que as pessoas ao seu redor são burras demais – eu fui do patrocínio da CaipiRinha. Corre aqui, pega lá, faz check list, mas não esquece que tem o trabalho do Pilla pra entregar, a revista Job pra diagramar e toda uma vida social que insiste em pedir mais tempo e dedicação.

Isso é realmente muito engraçado. Fazer evento é igual em qualquer lugar. Eu juro que produzir uma Rinha é igual a produzir um batizado ou um stand de uma montadora gigante no Salão do Automóvel. A diferença está nas pessoas ao seu redor e nas coisas que você coloca em risco. De resto, é tudo a mesma coisa: dá trabalho, tudo precisa de plano B e sempre parece que tudo vai dar errado. Então a magia acontece.

Na hora do evento você olha para todas aquelas pessoas do staff. Você passou dois meses trocando desaforos com mais da metade daquela gente. Mas no dia do evento, eles estão usando a mesma camiseta que você e todos têm o mesmo objetivo: fazer o melhor evento do mundo. Eu não gosto de futebol e nunca fui a um estádio, mas acho que deve ser uma sensação parecida com aquela de estar lá no meio de um mar de gente, torcendo, rezando, vibrando, se descabelando para tudo dar certo. E isso é bem, bem bonito.

Em um piscar de olhos, acaba. Toda aquela agitação, convidados, autoridades, os contratempos, as maluquices de última hora. Tudo isso passa e, de repente, você está dormindo debaixo do chuveiro da sua casa. Dor é pouco. Seus pés e joelhos já passaram desse estágio há muito tempo. A voz acabou. As costas? Não precisa nem falar. Mas agora não é hora de se entregar: ainda há uma tal de festa de premiação para ir. Here we go.

Você não vai lembrar da festa. Talvez você apareça em algumas fotos, mas seu rosto fica irreconhecível. Você está alheio a tudo e todos e só consegue pensar em uma coisa: cama. No outro dia, dor. Quando o seu cérebro termina de acordar, ele começa a resgatar o que sobrou de ontem. Sabe o que tem lá? Paixão. Você lembra dos jurados, que ora riem, ora fazem cara de “por-que-diabos-eu-fui-aceitar-esse-convite-meldels”? O pessoal da sua sala esbaforido, conduzindo aquele monte de gente. Vê os professores fantasiados de coisas inimagináveis, fazendo macaquices. Sabe aqueles milhões de acadêmicos correndo pra lá e pra cá, vibrando a cada nova prova, questionando as pontuações? Isso é a coisa mais legal do mundo.

Não existe nada mais gostoso do que ver o seu cliente ali, vivendo intensamente aquilo que você e sua turma criaram. Não existe palestra, apresentação de campanha, semana acadêmica ou qualquer coisa mais bacana do que isso. É emoção dos dois lados do balcão e isso é inesquecível. Inesquecível do jeito que um anúncio jamais será.

Gica Trierweiler

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Rinha: Uma História

28/04/2009

Até 2009 já acorreram 6 edições deste tão divertido, criativo, polêmico e até legendário evento chamado Rinha. Ganhando ou perdendo as histórias sempre começarão com a frase: “lembra da rinha…em que ….” . Essa frase pode ser completada com coisas muito boas, como prêmios que ganhamos ou risadas que demos, e também com coisas não muito boas, como derrotas. Mas o grande prêmio final não é exclusivo da equipe que fez mais pontos ou que ganhou mais provas, esse prêmio é de todos, pois fazer amigos e ter histórias para contar é sempre o que sobra da Rinha.

Para provar, este ano a galera da Rock in Rinha foi atrás das pessoas que fizeram as rinhas passadas acontecerem, até o dia da gincana você pode acompanhar aqui no blog histórias emocionantes de um seleto grupo privado de “ex-organizadores de rinhas”.

Até onde lembro, nesses longos 3 anos de faculdade, a CineRinha foi a rinha mais comentada e com maior número de fãs, parte ou grande parte deste sucesso deve-se ao sagaz Carlos Daniel Reichel. Na época, segundo a própria professora Magda, ele deixava de trabalhar para postar no blog da rinha. Sorte dele trabalhar naquela época na agência da professora responsável pelo evento.

Para abrir o show de depoimentos com calibre de banda principal: Carlos Daniel.

Sempre tive medo de ser taxado como uma pessoa de um só assunto. Essa espécie é facilmente encontrada e reconhecida na geografia da mesa de bar, a ciência conseguiu classificar alguns até o momento. Há os que reclamam e podem ser confundidos com os sofredores, outros que contam vantagem e os freqüentes, mas não menos interessantes, bitolados.

Os bitolados merecem um adendo, pois geralmente são pessoas bem informadas e prolixas, soltando seu conhecimento em doses cavalares sobre assuntos que vão de Iron Maiden, Apple, Redes Sociais e, claro, cinema. O cinema geralmente é recheio das conversas onde participo, mas tento alternar os assuntos e não parecer um espécime legítimo de bitolado, infelizmente isso não é possível na maioria das vezes.

Quando, em 2007, o oitavo semestre se preparava para definir os detalhes da Rinha daquele ano, a palavra cinema quase arrebentou meus dentes na tentativa de fugir da boca e alcançar o quadro onde a Prof. Magda anotava os possíveis temas, mas resolvi omitir minha opinião para não dar maiores provas da minha bitolagia crônica. Contudo, uma boa e caridosa alma deu a idéia do mote cinematográfico. Uma massa de sons varreu a sala, um burburrinho indecifrável que é a maior prova quando algo importante foi dito. Hum, que tal cinema? Cinema parece bom? Cinema? Cinerinha? Não preciso dizer que um sorriso pesado e ensaboado escapou, estava em paz e feliz, mas fique sóbrio e ressabiado: Cinema? Pode ser, acho que rende algo.

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